sábado, 11 de maio de 2013

Rubem Fonseca (Juiz de Fora-MG, 11/05/1925)




Passeio Noturno - Parte I

Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, "você está com um ar cansado". Os sons da casa: minha filha no quarto dela, treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho. "Você não vai largar essa mala?", perguntou minha mulher, "tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar".

Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. "Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa", entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, "já posso mandar servir o jantar?".

A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e a minha mulher estávamos gordos. "É aquele vinho que você gosta", ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta.

"Vamos dar uma volta de carro?", convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. "Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu que cada vez me apego menos aos bens materiais", minha mulher respondeu.

Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem muito mais gente do que moscas. Na Avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava lá de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.

Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.

A família estava vendo televisão. "Deu sua voltinha, agora está mais calmo?", perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. "Vou dormir, boa noite para todos", respondi, "amanhã vou ter um dia terrível na companhia". 


Passeio Noturno - Parte II

Eu ia para casa quando um carro encostou no meu, buzinando insistentemente. Uma mulher dirigia, abaixei os vidros do carro para entender o que ela dizia. Uma lufada de ar quente entrou com o som da voz dela: Não está mais conhecendo os outros?

Eu nunca tinha visto aquela mulher. Sorri polidamente. Outros carros buzinaram atrás dos nossos. A Avenida Atlântica, às sete horas da noite, é muito movimentada.

A mulher, movendo-se no banco do seu carro, colocou o braço direito para fora e disse, olha um presentinho para você.

Estiquei meu braço e ela colocou um papel na minha mão. Depois arrancou com o carro, dando uma gargalhada.

Guardei o papel no bolso. Chegando em casa, fui ver o que estava escrito. Ângela, 287-3594.

À noite, saí, como sempre faço.

No dia seguinte telefonei. Uma mulher atendeu. Perguntei se Ângela estava. Não estava. Havia ido à aula. Pela voz, via-se que devia ser a empregada. Perguntei se Ângela era estudante. Ela é artista, respondeu a mulher.

Liguei mais tarde. Ângela atendeu.

Sou aquele cara do Jaguar preto, eu disse.

Você sabe que eu não consegui identificar o seu carro?

Apanho você às nove horas para jantarmos, eu disse.

Espera aí, calma. O que foi que você pensou de mim?

Nada.

Eu laço você na rua e você não pensou nada?

Não. Qual é o seu endereço?

Ela morava na Lagoa, na curva do Cantagalo. Um bom lugar.

Estava na porta me esperando.

Perguntei onde queria jantar. Ângela respondeu que em qualquer restaurante, desde que fosse fino. Ela estava muito diferente. Usava uma maquiagem pesada, que tornava o seu rosto mais experiente, menos humano.

Quando telefonei da primeira vez disseram que você tinha ido à aula. Aula de quê?, eu disse.

Impostação de voz.

Tenho uma filha que também estuda impostação de voz. Você é atriz, não é?

Sou. De cinema.

Eu gosto muito de cinema. Quais foram os filmes que você fez? 

Só fiz um, que está agora em fase de montagem. O nome é meio bobo, As virgens desvairadas, não é um filme muito bom, mas estou começando, posso esperar, tenho só vinte anos. Na semi-escuridão do carro ela parecia ter vinte e cinco.

Parei o carro na Bartolomeu Mitre e fomos andando a pé na direção do restaurante Mário, na Rua Ataulfo de Paiva.

Fica muito cheio em frente ao restaurante, eu disse.

O porteiro guarda o carro, você não sabia?, ela disse.

Sei até demais. Uma vez ele amassou o meu.

Quando entramos, Ângela lançou um olhar desdenhoso sobre as pessoas que estavam no restaurante. Eu nunca havia ido àquele lugar. Procurei ver algum conhecido. Era cedo e havia poucas pessoas. Numa mesa um homem de meia-idade com um rapaz e uma moça. Apenas três outras mesas estavam ocupadas, com casais entretidos em suas conversas. Ninguém me conhecia.

Ângela pediu um Martini.

Você não bebe?, Ângela perguntou.

Às vezes.

Agora diga, falando sério, você não pensou nada mesmo, quando eu te passei o bilhete? 

Não. Mas se você quer, eu penso agora, eu disse.

Pensa, Ângela disse.

Existem duas hipóteses. A primeira é que você me viu no carro e se interessou pelo meu perfil. Você é uma mulher agressiva, impulsiva e decidiu me conhecer. Uma coisa instintiva. Apanhou um pedaço de papel arrancado de um caderno e escrevou rapidamente o nome e o telefone. Aliás quase não deu para eu decifrar o nome que você escreveu.

E a segunda hipótese?

Que você é uma puta e sai com uma bolsa cheia de pedaços de papel escritos com o seu nome e o telefone. Cada vez que você encontra um sujeito num carro grande, com cara de rico e idiota, você dá o número para ele. Para cada vinte papelinhos distribuídos, uns dez telefonam para você.

E qual a hipótese que você escolhe?, Ângela disse.

A segunda. Que você é uma puta, eu disse.

Ângela ficou bebendo o martini como se não tivesse ouvido o que eu havia dito. Bebi minha água mineral. Ela olhou para mim, querendo demonstrar sua superioridade, levantando a sobrancelha - era má atriz, via-se que estava perturbada - e disse: você mesmo reconheceu que era um bilhete escrito às pressas dentro do carro, quase ilegível.

Uma puta inteligente prepararia todos os bilhetinhos em casa, dessa maneira, antes de sair, para enganar os seus fregueses, eu disse.

E se eu jurasse a você que a primeira hipótese é a verdadeira? Você acreditaria?

Não. Ou melhor, não me interessa, eu disse.

Como que não interessa?

Ela estava intrigada e não sabia o que fazer. Queria que eu dissesse algo que a ajudasse a tomar uma decisão.

Simplesmente não interessa. Vamos jantar, eu disse.

Com um gesto chamei o maître. Escolhemos a comida.

Ângela tomou mais dois martinis.

Nunca fui tão humilhada em minha vida. A voz de Ângela soava ligeiramente pastosa.

Eu se fosse você não bebia mais, para poder ficar em condições de fugir de mim, na hora em que for preciso, eu disse.

Eu não quero fugir de você, disse Ângela esvaziando de um gole o que restava na taça. Quero outro.

Aquela situação, eu e ela dentro do restaurante, me aborrecia. Depois ia ser bom. Mas conversar com Ângela não significava mais nada para mim, naquele momento interlocutório.

O que é que você faz?

Controlo a distribuição de tóxicos na zona sul, eu disse.

Isso é verdade?

Você não viu o meu carro?

Você pode ser um industrial.

Escolhe a sua hipótese. Eu escolhi a minha, eu disse.

Industrial.

Errou. Traficante. E não estou gostando desse facho de luz sobre a minha cabeça. Me lembra as vezes em que fui preso.

Não acredito numa só palavra do que você diz.

Foi a minha vez de fazer uma pausa.

Você tem razão. É tudo mentira. Olha bem para o meu rosto. Vê se você consegue descobrir alguma coisa, eu disse.

Ângela tocou de leve no meu queixo, puxando meu rosto para o raio de luz que descia do teto e me olhou intensamente.

Não vejo nada. Teu rosto parece o retrato de alguém fazendo uma pose, um retrato antigo, de um desconhecido, disse Ângela.

Ela também parecia o retrato antigo de um desconhecido.

Olhei o relógio.

Vamos embora?, eu disse.

Entramos no carro.

Às vezes a gente pensa que uma coisa vai dar certo e dá errado, disse Ângela.

O azar de um é a sorte do outro, eu disse.

A lua punha na lagoa uma esteira prateada que acompanhava o carro. Quando eu era menino e viajava de noite a lua sempre me acompanhava, varando as nuvens, por mais que o carro corresse.

Vou deixar você um pouco antes da sua casa, eu disse.

Por quê?

Sou casado. O irmão da minha mulher mora no teu edifício.

Não é aquele que fica na curva? Não gostaria que ele me visse. Ele conhece o meu carro. Não há outro igual no Rio.

A gente não vai se ver mais?, Ângela perguntou.

Acho difícil.

Todos os homens se apaixonam por mim.

Acredito.

E você não é lá essas grandes coisas. O teu carro é melhor do que você, disse Ângela.

Um completa o outro, eu disse.

Ela saltou. Foi andando pela calçada, lentamente, fácil demais, e ainda por cima mulher, mas eu tinha que ir logo para casa, já estava ficando tarde.

Apaguei as luzes e acelerei o carro. Tinha que bater e passar por cima. Não podia correr o risco de deixá-la viva. Ela sabia muita coisa a meu respeito, era a única pessoa que havia visto o meu rosto, entre todas as outras. E conhecia também o meu carro. Mas qual era o problema? Ninguém havia escapado.

Bati em Ângela com o lado esquerdo do pára-lama, jogando o seu corpo um pouco adiante, e passei, primeiro com a roda da frente - e senti o som surdo da frágil estrutura do corpo se esmigalhando - e logo atropelei com a roda traseira, um golpe de misericórdia, pois ela já estava liquidada, apenas talvez ainda sentisse um distante resto de dor e perplexidade.

Quando cheguei em casa minha mulher estava vendo televisão, um filme colorido, dublado. 

Hoje você demorou mais. Estava muito nervoso?, ela disse.

Estava. Mas já passou. Agora vou dormir. Amanhã vou ter um dia terrível na companhia.


Os textos acima foram publicados no livro "Os cem melhores contos brasileiros do século", seleção de Italo Moriconi, Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 283.




Passeio Noturno - Parte II (O filme)



terça-feira, 23 de abril de 2013

Pixinguinha (23/04/1897 - 17/02/1973)


Músicos, musicólogos e amantes de nossa música podem discordar de uma coisa ou outra. Afinal, como diria a vizinha gorda e patusca de Nélson Rodrigues, gosto não se discute. Mas, se há um nome acima das preferências individuais, este é Pixinguinha. O crítico e historiador Ari Vasconcelos sintetizou de forma admirável a importância desse fantástico instrumentista, compositor, orquestrador e maestro:“Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: Pixinguinha.”

Uma rápida passagem pela sua vida e sua obra seria suficiente para verificar que ele é responsável por façanhas surpreendentes, como a de estrear no disco aos 13 anos de idade revolucionando a interpretação do choro.

É que naquela época (1911) a gravação de disco ainda estava em sua primeira fase no Brasil e os instrumentistas, mesmo alguns ases do choro, pareciam intimidados com a novidade e tocavam como se tivessem pisando em ovos, com medo de errar. Pixinguinha começou com segurança total e improvisou na flauta com a mesma tranquilidade com que tocava nas rodas de choro ao lado do pai e dos irmãos, também músicos, e dos muitos instrumentistas que formavam a elite musical do início do século XX.

Pixinguinha só não era eficiente em certos aspectos da vida prática. Em 1968, por exemplo, a música popular brasileira, os jornalistas, os amigos e o próprio governo do então estado da Guanabara mobilizaram-se para uma série de eventos comemorativos pela passagem dos seus 70 anos no dia 23 de abril. Sabendo que a certidão de nascimento mais utilizada em fins do século XIX era a certidão de batismo, o músico e pesquisador Jacob Bitencourt, o grande Jacob do Bandolim, compareceu à igreja de Santana, no Centro do Rio, para obter uma cópia da certidão de batismo de Pixinguinha, e descobriu que ele não fazia 70 anos, mas 71, pois não nascera em 1898 como sempre informou, mas em 1897. O erro fora consagrado “oficialmente” em 1933, quando Pixinguinha procurou o cartório para fazer a sua primeira certidão de nascimento. Mas não se enganou apenas no ano. Registrou-se com o mesmo nome do seu pai, Alfredo da Rocha Viana, esquecendo-se do Filho, que era seu, e informou errado o nome completo da mãe: Raimunda Rocha Viana em vez de Raimunda Maria da Conceição. O que é certo é que tinha muitos irmãos: Eugênio, Mário, Oldemar e Alice, do primeiro casamento de Raimunda, e Otávio, Henrique, Léo, Cristodolina, Hemengarda, Jandira, Hermínia e Edith, do casamento dela com Alfedo da Rocha Viana. Ele era o caçula.

A flauta e as rodas de choros não impediram que tivesse uma infância como as outras crianças, pois jogava bola de gude e soltava pipa nos primeiros bairros em que morou, Piedade e Catumbi. O pai, flautista, não só deu a ele a primeira flauta como o encaminhou para os primeiros professores de música, entre os quais o grande músico e compositor Irineu de Almeida, o Irineu Batina.

Seu primeiro instrumento foi o cavaquinho mas mudou logo para a flauta. Sua primeira composição, ainda bem menino, foi Lata de leite, um choro em três partes como era quase obrigatório na época. Também foi em 1911 que se incorporou à orquestra do rancho carnavalesco Filhas da Jardineira, onde conheceu os seus amigos de toda a vida, Donga e João da Baiana.

O pai preocupava-se também com os estudos curriculares do menino, que, antes de frequentar os bancos escolares , teve professores particulares. Ele, porém, queria mesmo era a música. Tanto que, matriculado no Colégio São Bento, famoso pelo seu rigor, matava aula para tocar no que seria o seu primeiro emprego, na casa de chope A Concha, na Lapa Boêmia.

“Às vezes, ia lá com a farda do São Bento”, recordou Pixinguinha em seu depoimento ao Museu da Imagem e do Som. Tudo isso, antes de completar os 15 anos, quando inclusive trabalhou como músico na orquestra do Teatro Rio Branco. Em 1914, com 17 anos, editou pela primeira vez uma composição de sua autoria, chamada Dominante. Na edição da Casa Editora Carlos Wehrs, seu apelido foi registrado como Pinzindim. Na verdade, o apelido do músico ainda não contava com uma grafia definitiva, pois fora criado pela sua avó africana. O significado de Pinzindim teve várias versões. Para o radialista e pesquisador Almirante, significava “menino bom” num dialeto africano, mas a melhor interpretação, sem dúvida, é a do pesquisador de cultura negra e grande compositor Nei Lopes, que encontrou a palavra psi-di numa língua de Moçambique, que significa comilão ou glutão. Como Pixinguinha já carregava também o apelido caseiro de Carne Assada, por ter sido surpreendido apropriando-se indevidamente um pedaço de carne assada antes do almoço que seria oferecido pela família a vários convidados, é provável que a definição encontrada por Nei Lopes seja a mais correta.

Em 1917, gravou um disco do Grupo do Pechinguinha [sic] na Odeon com dois clássicos da sua obra de compositor, o choro Sofres porque queres e a valsa Rosa, sendo que esta última tornou-se mais conhecida em 1937, quando foi gravada por Orlando Silva.

Naquela altura, ele já era um personagem famoso não só pelo seu talento de compositor e de flautista como por outras iniciativas, entre as quais sua participação no Grupo do Caxangá, que saía no carnaval desde 1914 e era integrado por músicos importantes como João Pernambuco, Donga e Jaime Ovale. E era também uma das figuras principais das rodas de choro na famosa casa de Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida), onde o choro ocorria na sala e o samba no quintal. Foi lá que nasceu o famoso Pelo telefone, de Donga e Mauro de Almeida, considerado o primeiro samba gravado. Em 1918, Pixinguinha e Donga foram convocados por Isaac Frankel, proprietário do elegante cinema Palais, na Avenida Rio Branco para formar uma pequena orquestra que tocaria na sala de espera. E nasceu o grupo Oito Batutas, integrado por Pixinguinha (flauta), Donga (violão), China, irmão de Pixinguinha (violão e canto), Nélson Alves (cavaquinho), Raul Palmieri (violão), Jacob Palmieri (bandola e reco-reco) e José Alves de Lima, Zezé (bandolim e ganzá). “A única orquestra que fala alto ao coração brasileiro”, dizia o letreiro colocado na porta do cinema. Foi um sucesso, apesar de algumas restrições de caráter racista na imprensa. Em 1919, Pixinguinha gravou Um a zero, que compusera em homenagem à vitória da seleção brasileira de futebol sobre a uruguaia, dando ao país seu primeiro título internacional, o de campeão sul-americano. É impressionante a modernidade desse choro, mesmo quando comparado a tantas obras criadas mais de meio século depois.

Os Oito Batutas viajaram pelo Brasil e, em fins de 1921, receberam um convite irrecusável: uma temporada em Paris, financiada pelo milionário Arnaldo Guinle. E, no dia 29 de janeiro de 1922, embarcaram para a França, onde permaneceram até agosto tocando em casas diferentes, sendo a maior parte do tempo no elegante cabaré Sheherazade. Foi em Paris que Pixinguinha ganhou de Arnaldo Guinle o saxofone que iria substituir a flauta no início da década de 1940, e Donga recebeu o banjo, com o qual faria muitas gravações. Na volta da França, o grupo fez várias apresentações no Rio de Janeiro (inclusive na exposição comemorativa do centenário da independência) e, em novembro de 1922, novamente os Oito Batutas viajaram, dessa vez para a Argentina, percorrendo o país durante cerca de cinco meses e gravando vários discos para a gravadora Victor. Na volta ao Brasil, a palavra Pixinguinha já ganhara sua grafia definitiva nos discos e na imprensa. Novas apresentações em teatros e em vários eventos e muitas gravações de disco, com seu grupo identificado com vários nomes: Pixinguinha e Conjunto, Orquestra Típica Pixinguinha, Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e Orquestra Típica Oito Batutas.

Os arranjos escritos para seus conjuntos chamaram a atenção das gravadoras, que sofriam na época com a quadradice dos maestros da época, quase todos estrangeiros e incapazes de escrever arranjos com a bossa exigida pelo samba e pela música de carnaval. Contratado pelo Victor, fez uma verdadeira revolução, vestindo a nossa música com a brasilidade que fazia tanta falta. São incontáveis os arranjos que escreveu durante os anos em que atuou como orquestrador das gravadoras brasileiras. Tudo isso nos leva a garantir que não estará cometendo qualquer exagero quem afirmar que Pixinguinha foi o grande criador do arranjo musical brasileiro. Na década de 1930, gravou também muitos discos como instrumentista e várias músicas de sua autoria (entre as quais as fantásticas gravações de Orlando Silva de Rosa e Carinhoso), mas o mais expressivo daquela fase (incluindo mais da metade da década de 1940) foi a sua atuação como arranjador.

Em 1942, fez a última gravação como flautista num disco com dois choros de sua autoria: Chorei e Cinco companheiros. Ele nunca explicou direito a troca para o saxofone, embora se acredite que o consumo excessivo de bebida seja o motivo. Mas a música brasileira foi enriquecida pelos contrapontos que fazia no sax e com o lançamento de dezenas de disco em dupla com o flautista Benedito Lacerda, certamente um dos momentos mais altos do choro em matéria de gravações. Em fins de 1945, Pixinguinha participou da estréia do programa “O pessoal da Velha Guarda”, dirigido e apresentado pelo radialista Almirante e que contava também com a participação de Benedito Lacerda. Em julho de 1950, uma iniciativa inédita de Pixinguinha: gravou cantando o lundu da sua autoria (letra de Gastão Viana) Yaô africano, que fora gravado em 1938. Em 1951, o prefeito do Rio, João Carlos Vital, nomeou-o professor de música e de canto orfeônico (ele era funcionário da prefeitura desde a década de 1930). Até aposentar-se deu aulas em várias escolas cariocas. A partir de 1953, passou a frequentar o Bar Gouveia, no Centro da cidade, numa assiduidade interrompida apenas por problemas de doenças. Acabou contemplado com uma cadeira permanente, com o seu nome gavado, na qual apenas ele poderia sentar.

Um grande acontecimento foi o Festival da Velha Guarda, que comemorava o quarto centenário da cidade de São Paulo, em 1954. Pixinguinha reuniu o seu pessoal da Velha Guarda (mais uma vez sob o comando de Almirante) e realizaram várias apresentações no rádio, na televisão e em praça pública com a assistência de dezenas de milhares de paulistas. Antes da volta ao Rio, Almirante recebeu uma carta do presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, dizendo, entre outras coisas, que, “dentre todas as extraordinárias festividades em que se comemora o quarto centenário, nenhuma teve maior repercussão em São Paulo, nem conseguiu tocar mais profundamente o coração do seu povo”. Em 1955, foi realizado o segundo Festival da Velha Guarda, mas sem a repercussão do primeiro.

O mais importante de 1955, para Pixinguinha, foi a gravação do seu primeiro long-play, com a participação dos seus músicos e de Almirante. O disco recebeu o nome de “Velha Guarda”. No mesmo ano, a turma toda participou do show O samba nasce no coração, na elegante casa noturna Casablanca. No ano seguinte, a rua em que ele morava, no bairro de Ramos, a Berlamino Barreto, ganhou o nome oficial de Pixinguinha, graças a um projeto do vereador Odilon Braga, sancionado pelo prefeito Negrão de Lima. A inauguração contou com a presença do prefeito e de vários músicos e foi comemorada com uma festa que durou dia e noite, com muita música e bastante álcool. Em novembro de 1957, ele foi um dos convidados pelo presidente Juscelino Kubitschek para almoçar com o grande trompetista Louis Armstrong no Palácio do Catete. Em 1958, depois de um almoço no clube Marimbás e sofreu um mal súbito. No mesmo ano, seu conjunto da Velha Guarda foi o escolhido pela então poderosa revista O Cruzeiro para recepcionar os jogadores da seleção brasileira, que chegavam da Suécia com a Copa do Mundo conquistada. Em 1961, fez várias músicas com o poeta Vinícius de Morais para o filme Sol sobre a lama, de Alex Viany. Em junho de 1963, sofreu um enfarte que o levou a passar várias internado num casa de saúde.

Em 1968, seus 70 anos (que, na verdade, como vimos, eram 71) foram comemorados com um espetáculo no teatro Municipal que rendeu um disco, uma exposição no Museu da Imagem e do Som, uma sessão solene na Assembléia Legislativa carioca e um almoço que reuniu centenas de pessoas numa churrascaria da Tijuca. Em 1971, Hermínio Belo de Carvalho produziu um disco intitulado Som Pixinguinha, com orquestra e solos de Altamiro Carrilho na flauta. Em 1971, um daqueles momentos que levavam seus amigos e considerá-lo santo: sua mulher, dona Beti, passou mal e foi internada num hospital. Dias depois, foi ele acometido de mais um problema cardíaco, foi também internado no mesmo hospital, mas, para que ela não percebesse que também estava doente, colocava um terno nos dias de visita e ia visitá-la como se estivesse vindo de casa. Por essa e por outras é que Vinícius de Morais dizia que, se não fosse Vinícius, queria ser Pixinguinha. Dona Beti morreu no dia 7 de junho de 1972, aos 74 anos de idade.

No dia 17 de fevereiro de 1973, quando se preparava para ser o padrinho de uma criança na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, sofreu o último e definitivo enfarte. A Banda de Ipanema, que fazia naquele momento um dos seus mais animados desfiles, desfez-se imediatamente com a chegada da notícia. Ninguém queria saber de carnaval.



quinta-feira, 14 de março de 2013

14 de março: Dia Nacional da Poesia

Comemora-se hoje no Brasil o Dia Nacional da Poesia, em homenagem ao poeta Antônio Frederico de Castro Alves (Curralinho, 14 de março de 1847 - Salvador, 6 de julho de 1871), cujas poesias mais conhecidas são marcadas pelo combate à escravidão, motivo pelo qual é conhecido como "Poeta dos Escravos".





Castro Alves do Brasil
Pablo Neruda

Castro Alves do Brasil, para quem cantaste?
Para a flor cantaste? Para a água
cuja formosura diz palavras às pedras?
Cantaste para os olhos, para o perfil recortado
da que então amaste? Para a primavera?

Sim, mas aquelas pétalas não tinham orvalho,
aquelas águas negras não tinham palavras,
aqueles olhos eram os que viram a morte,
ardiam ainda os martírios por detrás do amor,
a primavera estava salpicada de sangue.

- Cantei para os escravos, eles sobre os navios
como um cacho escuro da árvore da ira,
viajaram, e no porto se dessangrou o navio
deixando-nos o peso de um sangue roubado.

- Cantei naqueles dias contra o inferno,
contra as afiadas línguas da cobiça,
contra o ouro empapado do tormento,
contra a mão que empunhava o chicote,
contra os dirigentes de trevas.

- Cada rosa tinha um morto nas raízes.
A luz, a noite, o céu cobriam-se de pranto,
os olhos apartavam-se das mãos feridas
e era a minha voz a única que enchia o silêncio.

- Eu quis que do homem nos salvássemos,
eu cria que a rota passasse pelo homem,
e que daí tinha de sair o destino.
Cantei para aqueles que não tinham voz.
Minha voz bateu em portas até então fechadas
para que, combatendo, a liberdade entrasse.

Castro Alves do Brasil, hoje que o teu livro puro
torna a nascer para a terra livre,
deixam-me a mim, poeta da nossa América,
coroar a tua cabeça com os louros do povo.
Tua voz uniu-se à eterna e alta voz dos homens.
Cantaste bem. Cantaste como se deve cantar.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

24 de fevereiro: Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil


Comemora-se hoje Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil.
Até 1932, somente os homens brancos podiam votar no país. Inicialmente as mulheres puderam votar por meio do Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro de 1932. Mas, é bom lembrar que esta primeira conquista não foi completa: somente as mulheres casadas com autorização dos maridos, viúvas e solteiras com renda própria podiam exercer o direito ao voto.
Os primeiros registros de sufrágio feminino são da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte no ano de 1928, quando o voto foi autorizado pelo governador Juvenal Lamartine. 
Segundo a enciclopédia livre, a primeira eleitora do Brasil e da América Latina foi Celina Guimarães Viana, o que ocorreu graças a lei n°660 de 25 de outubro de 1927 que regulava o Serviço Eleitoral no estado do Rio Grande do Norte. Essa lei estabeleceu que não haveria mais distinção de sexo para o exercício do sufrágio e como condição básica de elegibilidade. 
Foi somente em 1934 que as tais restrições foram retiradas do Código Eleitoral e mesmo assim não tornava o voto feminino obrigatório, somente o masculino. Finalmente em 1946 o voto feminino sem restrições passa a ser obrigatório no Brasil.
Mas até chegar à conquista da obrigatoriedade do voto feminino, vale lembrar, foi preciso muita luta e organização das mulheres. Foram décadas de reuniões, marchas, assembleias e manifestações das ativistas que lutaram pelo nosso direito ao voto.


As feministas e sufragistas Leolinda Daltro e Gilka Machado, fundaram em 1910, na capital federal do Rio de Janeiro, o Partido Republicano Feminino, cujo maior objetivo era o sufrágio feminino. E é importante que se diga: elas tiveram um papel histórico e fundamental na construção do debate público e na mobilização em relação ao direito de voto das mulheres.
Igualmente importante foi a criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino em 1922,  no Rio de janeiro, por Bertha Lutz, para defender os interesses das mulheres. Bertha é um símbolo do feminismo na luta sufragista. Foi eleita suplente para deputada federal em 1934 e em 1936 assumiu o mandato. Com o golpe do Estado Novo em 1937 Bertha Lutz perdeu o mandato.

São incontáveis as conquistas das mulheres brasileiras, embora ainda tenhamos uma longa trajetória de luta a percorrer. 
Na política, somos a maioria do eleitorado brasileiro, temos pela primeira vez uma mulher Presidenta do Brasil, mas a nossa representação no Congresso Nacional não condiz com a nossa força. Na Câmara Federal temos apenas 8,77% do total da casa, com 45 deputadas. No Senado, são apenas 12 mulheres para um total de 81 lugares. 
Como se pode ver, ainda há muita luta e desafios pela frente.
Sigamos, pois.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

A argentinite de Carmen Miranda (09/02/1909 - 05/08/1955)

A divulgação na década de 1930, através da imprensa, da carreira de Carmen Miranda (Marco de Canaveses, 9 de fevereiro de 1909 — Los Angeles, 5 de agosto de 1955) na Argentina, em matérias compiladas pelo jornalista e historiador Abel Cardoso Junior.

Embarque para Buenos Aires (Rio, 1935)

"Carmencita del Brasil". Assim dizem dela em Buenos Aires. E ela exclama: "Che! Como son buenos los argentinos!"
- Você sabe que estou contratada para ir a Nova York?
- Você acaba em Hollywood!
- Deus o ouça!"
Sintonia, 10-1-1935




"A primeira figura feminina do broadcasting brasileiro, regressando de sua excursão vitoriosa a Buenos Aires, veio trazer-nos o seu abraço valioso e amigo.
 
Página de "A Voz do Rádio", na volta de Buenos Aires (1935)
- Foi um "chuá" - diz-nos Carmen, pitorescamente, respondendo à nossa indagação sobre a intensidade do sucesso alcançado.
E prossegue:
- A música brasileira tomou conta de Buenos Aires, popularizando-se de verdade. As que mais agradaram foram: 'Se a lua contasse", "Alô, alô..." e "Cidade Maravilhosa'. Estas três abafaram completamente. Explica-nos então "Carmencita" (como é chamada pelos argentinos) O processo que empregava para tornar compreensível o sentido dos sambas e marchas cariocas.
- Antes de cantar qualquer número, fazia pelo microfone um resumo ligeiro da letra, esclarecendo os ouvintes sobre a significação e o espírito da composição. Deste modo, além da melodia, o público inteirava-se do verdadeiro sentido do nosso folclore, podendo, assim, compreender melhor o número interpretado. Logo se divulgaram, merecendo as preferências populares a "Cidade Maravilhosa", "Alô, alô..." e "Se a lua contasse". Recebi mais de 1 .500 cartas de fãs argentinos. Foi um "chuá' completo!
Fala-nos depois Carmen do carinho com que foi acolhida em Buenos Aires, da cativante gentileza dos argentinos com os brasileiros que ali estiveram na excursão presidencial e da sua enorme alegria por ter contribuído, de maneira eficiente, como o fez, para a divulgação da nossa música popular no grande país amigo.
Carmencita mostra-se realmente entusiasmada. E diz-nos ainda:
- O movimento de simpatia do povo para os brasileiros é o mais espontâneo.
Quando ia fazer compras, sempre era reconhecida pessoalmente, os que se achavam nas lojas logo me cercavam com verdadeiro carinho.
A direção da Belgrano insistiu para que prolongasse minha estadia. Mas, não era possível e tive de voltar, cada vez mais encantada com Buenos Aires. De regresso, ao passar pelo Rio Grande do Sul, tive uma recepção muito cativante. Cantei na PRC-2, Radio Sociedade Gaúcha.
Verdadeira multidão enchia o estúdio daquela importante emissora. Foram para mim momentos também muitíssimo agradáveis."
Jornal "A Voz do Rádio - Rio, 4-7-1935



"Carmen Miranda, contratada pela radio "El Mundo", seguirá, brevemente para Buenos Aires. O Sr. Enrique Alemán, secretário da Rádio "El Mundo", que esteve a semana passada no Rio, recebeu inúmeras propostas de artistas, oferecendo-se para cantar em Buenos Aires. Foram mais de 50 propostas..."
Revista "Carioca" - Rio, 14-3-1936



"Os artistas do "broadcasting" carioca estão atacados de "argentinite". Esta nova moléstia foi inoculada por Carmen Miranda, assim uma espécie de coqueluche de Buenos Aires."
Revista "O Cruzeiro" - Rio, 4-4-1936




"O intercâmbio de músicos entre o Brasil e a Argentina é um fato consumado. Dia a dia, minuto a minuto, ele se torna mais expressivo, para satisfação de quantos amam a arte de Carlos Gomes. Carmen Miranda se tornou, em virtude desse mesmo intercâmbio, na Argentina, uma figura popularissima e querida do povo portenho nas suas contínuas "tournées" a Buenos Aires e outras cidades do Prata. De tal jeito é reclamada por aquele público que pode-se dizer atua, simultaneamente, lá e cá. Agora mesmo, depois de nos ter afirmado, há seguramente dois meses, que não tornaria à capital argentina sem antes ir a Portugal, sua terra de origem, foi compelida a fazê-lo, em virtude de um ótimo contrato que acaba de assinar com a Rádio Belgrano daquela cidade, para atuar em seu gênero de música regional brasileira. Por isto mesmo é que Carmen, também queridíssima entre nós, acaba de se despedir de seus fãs cariocas com um tango que cantou na última quinta-feira na Rádio Mayrink Veiga."
Jornal "Gazeta de Notícias - Rio, 31-5-1936



"Desde 1930 que estamos lutando para a introdução de músicas brasileiras no mercado estrangeiro. Um ano depois, numa das viagens que fez um editor argentino, Sr. Júlio Korn, em companhia do Sr. Jayme Yankelewich, diretor de uma rádio argentina, levou, indicadas por editor brasileiro, umas tantas músicas nacionais que estavam fazendo sucesso na época. Entre estas músicas figurava uma gravação de Carmen Miranda. O Sr. Yankelewich entusiasmou-se e contratou imediatamente Carmen para sua rádio, Dest'arte, Carmen Miranda foi a primeira cantora (a gente até esquece que ela só é brasileira de coração) a ter a honra de difundir a nossa música popular para lá de nossas fronteiras."
Revista "Carioca" - Rio, 18-9-1937


Com Aurora na excursão à Argentina em 1935,
na Rádio Belgrano em Buenos Aires







sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

1 de fevereiro: Dia do Publicitário

Hoje é comemorado o Dia do Publicitário, profissional que teve seu exercício regulamentado pela Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965. O decreto nº 57.690, de 01 de fevereiro de 1966, aprovou o regulamento para execução da Lei nº 4.680/65.
Características atribuídas aos publicitários são a criatividade, o gosto pelas artes e cultura, a visão inovadora e ousada, a capacidade de comunicação de suas ideias e o espírito crítico. Os profissionais de comunicação publicitária tem a capacidade de recorrer a um grande repertório cultural, crítico e conceitual para a solução de questões com inovação, compromisso com a cidadania e ações voltadas à construção de uma sociedade cada vez melhor.
O publicitário atua em agências de propaganda, veículos de comunicação, departamentos de marketing e comunicação de empresas, órgãos governamentais, produtoras de áudio e vídeo, web e multimídia.
Dentre suas atividades, estão: diagnosticar problemas de comunicação e marketing de clientes de vários portes e segmentos e definir estratégias; planejar e executar pesquisas de mercado; planejar campanhas publicitárias de lançamento ou reposicionamento mercadológico de produtos e serviços; criar textos, layouts e roteiros de peças publicitárias e campanhas para os mais diversos tipos de mídia, como por exemplo, jornais, revistas, outdoor, internet, rádio, televisão e cinema; apoiar a organização nas ações de comunicação com seus públicos de interesse, como clientes, funcionários e seus familiares, acionistas, fornecedores, órgãos de classe, entre outros; realizar campanhas eleitorais e marketing político.
Parabéns a todos os profissionais da área neste 1º de fevereiro. Um feliz Dia do Publicitário a todos vocês!
Nossa homenagem é uma série de anúncios comemorativos desta data.






 











quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

30 de janeiro: Dia da Saudade

Quem curte música, sempre tem uma canção (ou mais) que faz lembrar de alguém, de um lugar, de um tempo, de um amor. No dia da saudade, “comemorado” neste dia 30 de janeiro, apresentamos uma seleção de 10 clássicos da música brasileira que falam desse sentimento.
Essas canções (e, certamente, muitas outras) tentam definir o que é sentir saudade e, também, descreve seus efeitos. Você concorda com a listinha? Qual outra música você acrescentaria?

Chega de saudade – Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Talvez a mais emblemática do gênero, foi uma das canções que deu o pontapé para a bossa nova revolucionar a música brasileira e conquistar o mundo; Para quem quer seu amor pertinho, pertinho…

"Chega de saudade [...]
A realidade, é que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai”



Samba do avião – Tom Jobim
E Tom era mesmo cheio de saudade! Depois de uma viagem, chegando ao Rio de Janeiro, teve a inspiração de compor esse samba em homenagem à cidade que tanto amou. Muitos cariocas, ou quem tem carinho pelo Rio, já devem ter pensando nesses versos ao aterrissar por lá.

“Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade”



Saudade da Bahia – Dorival Caymmi
Até quem não é baiano sente saudade da Bahia quando escuta os versos de Dorival Caymmi. Ele, que saiu de lá e foi morar no Rio de Janeiro, nunca deixou de reverenciar sua terra e seu povo. Vai ver foi a maneira que ele encontrar de sentir menos a falta de sua terra natal.

“Ai, ai, que saudade eu tenho da Bahia
Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia”



A saudade mata a gente – Braguinha e Antônio Almeida
“A saudade é dor pungente, morena”, reclamou Braguinha nos versos da canção composta com o parceiro Antônio Almeida, em 1948. Uma canção triste, mas com uma melodia delicada e leve. Aqui, o registro é de Maria Bethânia.

“A saudade é dor pungente, morena
A saudade mata a gente, morena”



Gostoso demais – Dominguinhos e Nando Cordel
Da sanfona de Dominguinhos sai muita alegria, mas também muitas canções de amor, principalmente de amor machucado. “Tem dó de mim”, tenta ele, pedindo para ela voltar e matar toda a saudade.

“Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso”



De volta pro o aconchego – Dominguinhos e Nando Cordel
Mais uma prova de que Dominguinhos e Nando Cordel são bons nisso. A canção “De volta para aconchego” fez um estrondoso sucesso na voz de Elba Ramalho nos anos 80. Uma mala cheia de saudade… Bonito, não?

“Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo
Um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade”



Bandeira Branca – Dalva de Oliveira
Tem momentos que não adianta. É melhor jogar a toalha e confessar a saudade, a falta que alguém faz. A marcinha de carnaval composta por Max Nunes e Laércio Alves para Dalva de Oliveira no começo da década de 70.

“Saudade, mal de amor, de amor…
Saudade, dor que dói demais…
Vem, meu amor!
Bandeira branca eu peço paz”



Gostava tanto de você – Tim Maia
Tim Maia era mestre em falar de desilusões amorosas. Essa, então, virou clichê em declarações de amores desfeitos. Se você ainda consegue ouvi-la, aí vai…

“Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar…”



Saudade da minha terra – Goiá e Belmonte
Muita gente tem que abandonar a terra querida e partir em busca de um sonho profissional ou até mesmo de um amor. Mas a falta do lugar de origem quase nunca é suprida pelos sonhos conquistados.

“Por nossa senhora, meu sertão querido
Vivo arrependido por ter te deixado
Esta nova vida aqui na cidade
De tanta saudade, eu tenho chorado”



Qui nem jiló – Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
E tem definição melhor para a saudade que essa? É amarga “qui nem jiló”. O forró do mestre Luiz Gonzaga . O remédio é cantar! Detalhe para a interpretação visceral de Gal Costa.

“Ai, quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz doer
Amarga que nem jiló”