quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Carlos Drummond de Andrade (31/10/1902 - 17/08/1987)

Há 110 anos, em 31 de outubro de 1902, nasceu em Itabira (Minas Gerais) o poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade.
Ele herdou dos modernistas a liberdade linguística, o verso livre, o metro livre, as temáticas cotidianas, mas foi além.
"A obra de Drummond alcança — como Fernando Pessoa ou Jorge de Lima, Herberto Helder ou Murilo Mendes — um coeficiente de solidão, que o desprende do próprio solo da História, levando o leitor a uma atitude livre de referências, ou de marcas ideológicas, ou prospectivas", afirma Alfredo Bosi.



    No meio do caminho (publicado em 1928 na Revista Antropofagia)

    No meio do caminho tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    tinha uma pedra
    no meio do caminho tinha uma pedra.

    Nunca me esquecerei desse acontecimento
    na vida de minhas retinas tão fatigadas.
    Nunca me esquecerei que no meio do caminho
    tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    no meio do caminho tinha uma pedra.




    Quadrilha (http://www.memoriaviva.com.br/audio/quadrilha.mp3)

    João amava Teresa que amava Raimundo
    que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
    que não amava ninguém.
    João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
    Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
    Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
    que não tinha entrado na história.



    José (http://www.memoriaviva.com.br/audio/jose.mp3)

    E agora, José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou,
    e agora, José?
    e agora, você?
    você que é sem nome,
    que zomba dos outros,
    você que faz versos,
    que ama, protesta?
    e agora, José?

    Está sem mulher,
    está sem discurso,
    está sem carinho,
    já não pode beber,
    já não pode fumar,
    cuspir já não pode,
    a noite esfriou,
    o dia não veio,
    o bonde não veio,
    o riso não veio,
    não veio a utopia
    e tudo acabou
    e tudo fugiu
    e tudo mofou,
    e agora, José?

    E agora, José?
    Sua doce palavra,
    seu instante de febre,
    sua gula e jejum,
    sua biblioteca,
    sua lavra de ouro,
    seu terno de vidro,
    sua incoerência,
    seu ódio – e agora?

    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    não existe porta;
    quer morrer no mar,
    mas o mar secou;
    quer ir para Minas,
    Minas não há mais.
    José, e agora?

    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse
    a valsa vienense,
    se você dormisse,
    se você cansasse,
    se você morresse...
    Mas você não morre,
    você é duro, José!

    Sozinho no escuro
    qual bicho-do-mato,
    sem teogonia,
    sem parede nua
    para se encostar,
    sem cavalo preto
    que fuja a galope,
    você marcha, José!
    José, para onde?




    Morte do leiteiro (http://www.memoriaviva.com.br/audio/leiteiro.mp3)

                        A Cyro Novaes

    Há pouco leite no país,
    é preciso entregá-lo cedo.
    Há muita sede no país,
    é preciso entregá-lo cedo.
    Há no país uma legenda,
    que ladrão se mata com tiro.
    Então o moço que é leiteiro
    de madrugada com sua lata
    sai correndo e distribuindo
    leite bom para gente ruim.
    Sua lata, suas garrafas
    e seus sapatos de borracha
    vão dizendo aos homens no sono
    que alguém acordou cedinho
    e veio do último subúrbio
    trazer o leite mais frio
    e mais alvo da melhor vaca
    para todos criarem força
    na luta brava da cidade.

    Na mão a garrafa branca
    não tem tempo de dizer
    as coisas que lhe atribuo
    nem o moço leiteiro ignaro,
    morados na Rua Namur,
    empregado no entreposto,
    com 21 anos de idade,
    sabe lá o que seja impulso
    de humana compreensão.
    E já que tem pressa, o corpo
    vai deixando à beira das casas
    uma apenas mercadoria.

    E como a porta dos fundos
    também escondesse gente
    que aspira ao pouco de leite
    disponível em nosso tempo,
    avancemos por esse beco,
    peguemos o corredor,
    depositemos o litro...
    Sem fazer barulho, é claro,
    que barulho nada resolve.

    Meu leiteiro tão sutil
    de passo maneiro e leve,
    antes desliza que marcha.
    É certo que algum rumor
    sempre se faz: passo errado,
    vaso de flor no caminho,
    cão latindo por princípio,
    ou um gato quizilento.
    E há sempre um senhor que acorda,
    resmunga e torna a dormir.

    Mas este acordou em pânico
    (ladrões infestam o bairro),
    não quis saber de mais nada.
    O revólver da gaveta
    saltou para sua mão.
    Ladrão? se pega com tiro.
    Os tiros na madrugada
    liquidaram meu leiteiro.
    Se era noivo, se era virgem,
    se era alegre, se era bom,
    não sei,
    é tarde para saber.

    Mas o homem perdeu o sono
    de todo, e foge pra rua.
    Meu Deus, matei um inocente.
    Bala que mata gatuno
    também serve pra furtar
    a vida de nosso irmão.
    Quem quiser que chame médico,
    polícia não bota a mão
    neste filho de meu pai.
    Está salva a propriedade.
    A noite geral prossegue,
    a manhã custa a chegar,
    mas o leiteiro
    estatelado, ao relento,
    perdeu a pressa que tinha.

    Da garrafa estilhaçada,
    no ladrilho já sereno
    escorre uma coisa espessa
    que é leite, sangue... não sei.
    Por entre objetos confusos,
    mal redimidos da noite,
    duas cores se procuram,
    suavemente se tocam,
    amorosamente se enlaçam,
    formando um terceiro tom
    a que chamamos aurora.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

25 de Outubro: Dia Mundial do Macarrão

No Dia do Macarrão, quebre mitos sobre o consumo de massas
Prato preferido do brasileiro, macarrão pode ser saboreado sem restrições e, aos contrário do que muitos acreditam, não engorda!

No almoço de domingo ele é o prato preferido. Além de delicioso, é pratico e criativo. Combina com legumes, queijos, carnes e até frutas. O macarrão é o nosso companheiro nos finais de noite e também quando queremos demonstrar nossos "dotes" culinários. Afinal, quem resiste a uma boa massa? É justamente por oferecer tantas vantagens, que o macarrão é homenageado no dia 25 de outubro, o Dia Mundial do Macarrão.

A data é lembrada em vários países, entre eles Estados Unidos, México, Turquia, Itália, Alemanha, Venezuela e Brasil, claro. O dia é comemorado desde 1995, a partir da realização do 1º Congresso Mundial de Pasta, em Roma.

O Brasil é o terceiro maior produtor de macarrão do mundo, com produção de1.2 milhão de toneladas (dados de 2011), e faturamento na ordem de R$ 2 bilhões. O consumo de macarrão no Brasil é de 6,2 kg por pessoa, a cada ano. O maior consumidor mundial é a Itália, com 28 kg por habitante/ano.


Alimento saudável
O macarrão é um dos ingredientes mais versáteis existentes na culinária, afinal seus inúmeros cortes – só no Brasil são mais de 30 variedades - permitem combinações com diversos molhos, carnes e vegetais. Por ser tão popular na mesa do brasileiro a massa também está envolta em diversos mitos.

Para celebrar o Dia Mundial do Macarrão sem culpa, fique atento às orientações da nutricionista Priscila Rosa, consultora da Isabela, marca de massas e biscoitos da Região Sul. Ela esclarece alguns mitos que rondam o consumo de massas.

Com certeza o mito mais difundido de todos é que o macarrão engorda, por ser rico em carboidrato. Mas segundo Priscila, não é a massa que engorda e sim a quantidade consumida e principalmente os acompanhamentos e molhos. Entretanto, se consumido nas quantidades adequadas para cada tipo de metabolismo e com molhos magros, como o ao sugo, de ervas ou com vegetais, o esse alimento resulta em mais energia para o dia a dia. A recomendação diária de consumo de carboidratos - indicado pelo Guia Alimentar para População Brasileira, do Ministério da Saúde - é de 5 a 6 porções diárias.

O fato do macarrão não engordar já é uma boa notícia, melhor ainda é saber que as massas podem ajudar a emagrecer. O macarrão faz com que o metabolismo fique mais ativo e com isso queime mais gorduras, ensina Priscila.

Para as mulheres que sofrem com a tão temida TPM mais uma notícia boa: o macarrão pode ajudar a liberar serotonina, substância química que age no cérebro gerando a sensação de bem-estar e tranquilizando os ânimos.

"O macarrão pode ser incluído em uma dieta balanceada. Além de molhos "leves" a dica para não elevar o valor calórico e a quantidade de gorduras é escolher acompanhamentos nutritivos como um filé grelhado (frango, peixe e carne bovina magra) ou uma boa salada de folhas e vegetais", finaliza a nutricionista.

Confira abaixo algumas sugestões para preparar o bom e velho macarrão de forma mais saudável. As receitas são da Cozinha Experimental da Isabela.


Espaguete ao Azeite com Salmão e Abobrinha

Divulgação/Isabela


Ingredientes:

- 1 embalagem de Espaguete Bom Gosto Isabela
- 5 colheres (sopa) de azeite extra virgem
- 2 cebolas médias, picadas
- 2 abobrinhas médias, em cubinhos
- 5 tomates maduros, sem sementes e sem pele, picados
- 500g de filé de salmão
- 2 dentes de alho, picados
- sal e alecrim a gosto

Modo de Preparo:

Comece preparando o salmão:

Numa assadeira média, acomode os filés de salmão e tempere com alho, sal e alecrim. Cubra com papel-alumínio e leve para assar em forno médio (180º) pré-aquecido por 25 minutos. Retire do forno, corte os filés de salmão em lascas e reserve.

Recheio:

Numa panela média, aqueça o azeite e refogue a cebola. Junte as abobrinhas, os tomates e deixe refogar por mais 10 minutos ou até que a abobrinha fica macia, se necessário acrescente ½ xícara (chá) de água. Acerte o sal e reserve.

Massa:

Numa panela grande ferva 5 litros de água com sal e cozinhe a massa. Para isso, coloque a massa e mexa de vez em quando, até que a água volte a ferver. Deixe cozinhar de acordo com o tempo indicado na embalagem ou até que fique "al dente", ou seja, macia, porém resistente à mordida. Escorra a massa, acomode num refratário grande, acrescente o refogado de abobrinha com tomate e envolva bem com a ajuda de dois garfos grandes. Espalhe por cima as lascas de salmão e sirva a seguir.

Variação: O salmão pode ser substituído por atum ou sardinha, no caso destes ingredientes, basta acrescentá-los no refogado de abobrinha com tomate e substituir o alecrim por salsinha.

Toque do Chef: A combinação de ingredientes desta receita é bastante nutritiva e indicada para idosos.

Informações nutricionais:

Por porção: aproximadamente 270g

Valor calórico:

- 3.237 kcal (receita total)
- 540 kcal (porção)

Proteínas:

- 187,12g (receita total)
- 31,18g (porção)

Carboidratos:

- 397g (receita total)
- 66g (porção)

Gorduras:

- 91,33g (receita total)
- 15,22g (porção)

Gravatinha ao Pesto de Tomate Seco com Rúcula

Divulgação/Isabela


Ingredientes:

- 1 embalagem de Gravatinha Com Ovos Isabela
- 1 xícara (chá) de azeite de oliva
- 200g de tomate seco, picados
- 2 dentes de alho, picados
- 50g de nozes, picadas
- queijo parmesão, ralado
- 1 maço de rúcula
- Sal

Modo de Preparo:

Comece preparando o pesto de tomate seco:

Leve ao liquidificador, o azeite, o tomate seco, o alho, as nozes e bata até envolver bem todos os ingredientes. Acerte o sal e reserve.

Massa:

Numa panela grande ferva 5 litros de água com sal e cozinhe a massa. Para isso, coloque a massa e mexa de vez em quando, até que a água volte a ferver. Deixe cozinhar de acordo com o tempo indicado na embalagem ou até que fique "al dente", ou seja, macia, porém resistente à mordida. Escorra a massa, acomode num refratário grande, acrescente o pesto de tomate seco e envolva bem com a ajuda de dois garfos grandes. Polvilhe o queijo parmesão, acomode por cima as folhas de rúcula e sirva a seguir.

Informações nutricionais:

Por porção: aproximadamente 270g

Valor calórico:

- 3.703 kcal (receita total)
- 618 kcal (porção)

Proteínas:

- 76,7g (receita total)
- 13g (porção)

Carboidratos:

- 432g (receita total)
- 72g (porção)

Gorduras:

- 198g (receita total)
- 33g (porção)

Ninho ao Molho Rosé com Palmito e Alho Poró
Divulgação/Isabela


Ingredientes:

- 1 embalagem de Massa Com Ovos Ninho Largo Isabela (500g)
- a gosto queijo parmesão ralado
- 8 colheres (sopa) de manteiga ou margarina
- 4 alhos poró, em rodelas (utilizar somente a parte branca)
- 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
- a gosto sal, salsinha picada e pimenta-do-reino
- 250ml de polpa de tomate
- 1 colher (sopa) de catchup
- 3 dentes de alho, picados
- 300g de palmito, em rodelas
- 1 litro de leite

Comece preparando o refogado de alho poró com palmito:

Numa frigideira média, aqueça a 6 colheres (sopa) de manteiga ou margarina, refogue 3 dentes de alho. Junte 4 alhos poró, 300g de palmito, deixe refogar por 5 minutos. Acerte o sal, mexa delicadamente e reserve.

Faça o molho rosé:

Numa panela média, aqueça as 2 colheres (dopa) de manteiga ou a margarina e doure 2 colheres (sopa) de farinha de trigo. Junte 1 litro de leite aos poucos, mexendo sempre para não empelotar. Acrescente 250ml de polpa de tomate, 1 colher (sopa) de catchup, acerte o sal, tempere com a pimenta do reino, mexa delicadamente e reserve.

Massa:

Numa panela grande ferva 5 litros de água com sal e cozinhe a massa. Para isso, coloque a massa e mexa de vez em quando, até que a água volte a ferver. Deixe cozinhar de acordo com o tempo indicado na embalagem ou até que fique "al dente", ou seja, macia, porém resistente à mordida. Escorra a massa, acomode num refratário grande, acrescente o molho de rosé, envolva bem com a ajuda de dois garfos grandes. Acomode o refogado de alho poro com palmito. Salpique salsinha, polvilhe queijo parmesão e sirva a seguir.

Receita: Salgada
Tipo: Prato Principal
Categoria: Massas longas - Ninho Largo
Preparo: Forno e Fogão
Grau de dificuldade: Fácil
Tempo de preparo: 30 minutos
Calorias: 632 calorias
Rendimento: 6 porções 

sábado, 22 de setembro de 2012

22 de Setembro: Dia da Banana


A banana é o fruto (ou melhor: uma pseudobaga) da bananeira, uma planta herbácea vivaz acaule (e não uma "árvore", apesar do seu porte) da família Musaceae (género Musa - além do género Ensete, que produz as chamadas "falsas bananas"). As bananas constituem o quarto produto alimentar mais produzido no mundo, a seguir ao arroz, trigo e milho. São cultivadas em 130 países. São originárias do sudeste da Ásia, sendo actualmente cultivadas em praticamente todas as regiões tropicais do planeta.
Embora não seja nativa do continente americano (é originária do Sul da Ásia e da Indonésia), adaptou-se muito bem ao nosso solo e clima.
A banana é uma fruta de alto valor nutritivo, muito rica em açúcar e sais minerais, principalmente cálcio, fósforo e ferro, e vitaminas A, B1, B2 e C. Fácil de digerir, pode ser dada às crianças a partir dos 6 meses de idade. Como quase não tem gordura, é indicada nas dietas baixas em colesterol. Pode ser consumida ao natural, como sobremesa, ou ser usada nos mais variados tipos de prato: salada de frutas, bolos, tortas, vitaminas, sorvetes, mingaus, recheios de aves e carnes, farofas, musses e sanduíches.

Existem cerca de cem tipos de banana cultivadas no mundo todo, porém os mais conhecidos no Brasil são:


banana-maçã (ou banana-branca) - de tamanho variado, pode atingir, no máximo, 15 cm e pesar 160 g. É ligeiramente curva, tem casca fina, amarelo-clara, e polpa branca, bem aromática, de sabor muito apreciado. Recomendada como alimento para bebês, fica muito gostosa amassada e misturada com aveia, biscoito ralado ou farinhas enriquecidas.



banana-prata
(ou banana-anã-grande) - tem fruto reto, de até 15 cm de comprimento, casca amarelo-esverdeada, de cinco facetas, polpa menos doce que a da banana-nanica, mais consistente e indicada para fritar.


banana-nanica
(conhecida também como banana-d'água, banana-da-china, banana-anã ou banana-chorona) - tem casca fina e amarelo-esverdeada (mesmo na fruta madura) e polpa doce, macia e de aroma agradável. Cada cacho tem por volta de duzentas bananas.


banana-ouro
(inajá, banana-dedo-de-moça, banana-mosquito ou banana-imperador) - é a menor de todas as bananas, medindo no máximo 10 cm. Tem forma cilíndrica, casca fina de cor amarelo-ouro, polpa doce, de sabor e cheiro agradáveis. É muito usada para fazer croquetes.

 
banana-sapo - fruto curto, grosso e anguloso, com casca espessa e dura, e polpa pouco delicada, mais usada como alimento de animais domésticos.



banana-da-terra
(banana-chifre-de-boi, banana-comprida ou pacovan) - são as maiores bananas conhecidas, chegando a pesar 500 g cada fruta e a ter comprimento de 30 cm. É achatada num dos lados, tem casca amarelo-escura, com grandes manchas pretas quando maduras, e polpa bem consistente, de cor rosada e textura macia e compacta, sendo mais rica em amido do que açúcar, o que a torna ideal para cozinhar, assar ou fritar.


banana-de-são-tomé
(banana-curta ou banana-do-paraíso) - existem dois tipos, que se diferenciam apenas na cor da casca - roxa ou amarela. São pouco apreciadas, devido à polpa amarela e ao cheiro muito forte. Recomenda-se consumí-las cozidas, fritas ou assadas.

Embora a banana possa ser encontrada o ano todo, durante os meses de maio e junho são comercializadas as melhores safras. A fruta deve ser colhida ainda verde e deixada à sombra e em temperatura ambiente para que possa amadurecer. Isso garante que não sofra alterações que prejudicam sua qualidade e seu valor nutritivo. Se a banana amadurecer no pé, fica muito seca e farinhenta

Dicas

Para consumo imediato, compre a banana com casca bem amarela e pequenas manchas marrons, de aspecto firme, sem partes moles ou machucadas e que não tenha as pontas verdes. Se não for para consumo imediato, dê preferência às que estão ligeiramente verdes. Para acelerar o amadurecimento da fruta, embrulhe em folhas de jornal. Para retardar o amadurecimento, compre a banana em pencas, pois as destacadas ficam maduras mais depressa.
A banana deve ser conservada em lugar fresco e seco, não sendo aconselhável guardar na geladeira, pois ela perde o sabor e se deteriora com maior facilidade. Para guardar bananas já descascadas, coloque-as dentro de um recipiente que possa ser bem fechado e mantenha em lugar seco e, para evitar que fique escura, pingue algumas gotas de limão. 



Fonte: http://www.cliqueagosto.com.br/novidades/22-de-setembro-dia-da-banana

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Edla van Steen (Florianópolis-SC, 12/07/1936)



Intimidade
Edla van Steen

Para mim esta é a melhor hora do dia — Ema disse, voltando do quarto dos meninos. — Com as crianças na cama, a casa fica tão sossegada.

— Só que já é noite — a amiga corrigiu, sem tirar os olhos da revista.

Ema agachou-se para recolher o quebra-cabeça esparramado pelo chão.

— É força de expressão, sua boba. O dia acaba quando eu vou dormir, isto é, o dia tem vinte e quatro horas e a semana tem sete dias, não está certo? — descobriu um sapato sob a poltrona. Pegou-o e, quase deitada no tapete, procurou o par embaixo dos outros móveis. — Não sei por que a empregada não reúne essas coisas antes de ir se deitar — empilhou os objetos no degrau da escada. — Afinal, é paga para isso, não acha?

— Às vezes é útil a gente fechar os olhos e fingir que não está notando os defeitos. Ela é boa babá, o que é mais importante.

Ema concordou. Era bom ter uma amiga tão experiente. Nem precisa ser da mesma idade — deixou-se cair no sofá — Bárbara, muito mais sábia. Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada valorizava o perfil privilegiado. As duas eram tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas de escritório. Até ter filhos juntas conseguiram, acreditasse quem quisesse. Tão gostoso, ambas no hospital. A semelhança física teria contribuído para o perfeito entendimento? "Imaginava que fossem irmãs", muitos diziam, o que sempre causava satisfação.

— O que está se passando nessa cabecinha? — Bárbara estranhou a amiga, só doente pararia quieta. Admirou-a: os cabelos soltos, caídos no rosto, escondiam os olhos cinza, azuis ou verdes, conforme o reflexo da roupa. De que cor estariam hoje? — inclinou-se — estão cinza.

Ema aprumou o corpo.

— Pensava que se nós morássemos numa casa grande, vocês e nós... Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera a idéia — pegou o isqueiro e acendeu dois cigarros, dando um a Ema, que agradeceu com o gesto habitual: aproximou o dedo indicador dos lábios e soltou um beijo no ar.

— As crianças brigariam o tempo todo.

Novamente a amiga tinha razão. Os filhos não se suportavam, discutiam por qualquer motivo, ciúme doentio de tudo. O que sombreava o relacionamento dos casais.

— Pelo menos podíamos morar mais perto, então.

Ema terminava o cigarro, que preguiça. Se o marido estivesse em casa seria obrigada a assistir à televisão, porque ele mal chegava, ia ligando o aparelho, ainda que soubesse que ela detestava sentar que nem múmia diante do aparelho — levantou-se, repelindo a lembrança. Preparou uma jarra de limonada. Por que todo aquele interesse de Bárbara na revista? Reformulou a pergunta em voz alta.

— Nada em especial. Uma pesquisa sobre o comportamento das crianças na escola, de como se modificam as personalidades longe dos pais.

No momento em que Ema depositava o refresco na mesa, ouviu-se um estalo.

— Porcaria, meu sutiã arrebentou.

— A alça?

— Deve ter sido o fecho — ergueu a blusa — veja.

Bárbara fez várias tentativas para fechá-lo.

— Não dá, quebrou pra valer.

Ema serviu a limonada. Depois, passou a mão pelo busto.

— Você acha que eu tenho seio demais?

— Claro que não. Os meus são maiores...

— Está brincando — Ema sorriu e bebeu o suco em goles curtos, ininterruptos.

— Duvida? Pode medir...

— De sutiã não vale — argumentou. — Vamos lá em cima. A gente se despe e compara — aproveitou a subida para recolher a desordem empilhada. Fazia questão de manter a casa impecável. Bárbara pensou que a amiga talvez tivesse um pouco de neurose com arrumação.

Ema acendeu a luz do quarto.

— Comprou lençóis novos?

— Mamãe mandou de presente. Chegaram ontem. Esqueci de contar. Não são lindos?

— São.

— A velha tem gosto — Ema disse, enquanto se despia em frente ao espelho. Bárbara imitou-a.

É muito bonita — Ema reconheceu. Cintura fina, pele sedosa, busto rosado e um dorso infantil. Porém, ela não perdia em atributos, igualmente favorecida pela sorte. Louras e esguias, seriam modelos fotográficos, o que entendessem, em se tratando de usar o corpo — não é, Bárbara?

— Decididamente perdi o campeonato. Em matéria de tamanho os seus seios são maiores do que os meus — a outra admitiu, confrontando.

Carinhosa, Ema acariciou as costas da amiga, que sentiu um arrepio.

— O que não significa nada, de acordo? — deu-lhe um beijo.

— Credo, Ema, suas mãos estão geladas e com este calor...

— É má circulação.

— Coitadinha — Bárbara esfregou-as vigorosamente. — Você precisa fazer massagens e exercícios, assim — abria e fechava os dedos, esticando e contraindo na palma. — Experimente.

Eram tão raros os instantes de intimidade e tão bons. Conversaram sobre as crianças, os maridos, os filmes da semana. Davam-se maravilhosamente — Bárbara suspirou e se dirigiu à janela: viu telhados escuros e misteriosos. Ela adoraria ser invisível para entrar em todas as casas e devassar aquelas vidas estranhas. Costumava diminuir a marcha do carro nos pontos de ônibus e tentar adivinhar segredos nos rostos vagos das filas. Isso acontecia nos seus dias de tristeza. Alguma coisa em algum lugar, que ela nem suspeitava o que fosse, provocava nela uma sensação de tristeza inexplicável. Igual à que sente agora. Uma tristeza delicada, de quem está de luto. Por quê?

— Que horas são? — Ema escovava o cabelo.

— Imagine, onze horas. Tenho que sair correndo.

— Que pena. Não sei por que fui pensar em hora. Fique mais um pouco.

— É tarde, Ema. Tchau. Não precisa descer.

— Ora, Bárbara... deixa disso — levou a amiga até o portão.

— Boa noite, querida. Durma bem.

— Até amanhã.

Ema examinou atentamente a sala, a conferir, pela última vez, a arrumação geral. Reparou na bandeja esquecida sobre a mesa, mas não se incomodou. Queria um minutinho de... ela apreciava tanto a casa prestes a adormecer — apagou as luzes. A noite estava clara, cor de madrugada pensou, sentando no sofá. Um sentimento de liberdade interior brotava naquele silêncio. Um sentimento místico, meio alvoroçado, de alguém que, de repente, descobrisse que sabe voar. Por quê?


Edla van Steen nasceu em Florianópolis, Santa Catarina, em 1936. Seu pai era belga e cônsul-honorário naquela cidade. Tem 25 livros publicados, entre contos, romances, entrevistas, peças de teatro, livros de arte.  A escritora é casada com o historiador e crítico teatral Sábato Magaldi.

Alguns trabalhos:

No Brasil:

- Cio, 1965 (contos)
- Memórias do medo, 1974 (romance)
- Antes do amanhecer, 1977 (contos)
- Corações mordidos, 1983 (romance)
- Até sempre, 1985 (contos)
- Madrugada, 1992 (romance)
- Cheiro de amor, 1996 (contos)
- No silêncio das nuvens, 2001 (contos)
- A ira das águas, 2004 (contos)


No Exterior:

- A bag of stories, 1991 (EUA)
- Scent of love, 1991(EUA)
- Village of the ghost bells (Coração mordidos), 1991 (romance)
- Early mourning (Madrugada), 1991 (romance),  EUA


Infanto-juvenis:

- Manto de nuvem, 1985
- Por acaso, 1996
- O gato barbudo, 2000
- O presente, 2001


Prêmios:

- 1989 - Prêmio Molière e Mambembe de "Melhor Autor" e APCA de "Revelação de Autor" por "O último encontro

- 1992 - Prêmio Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Nacional Pen Club, por "Madrugada".

- 1996 - Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira, categoria autor consagrado, por "Cheiro de amor".

O texto acima, publicado em "
O Prazer é Todo Meu — Contos Eróticos Femininos", seleção de Márcia Denser para a Editora Record — Rio de Janeiro, 1985, consta também do livro "Os cem melhores contos brasileiros do século", seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 447.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Raízes do Brasil



Dividido em duas partes, o filme mostra a vida e obra de Sérgio Buarque de Holanda (11/07/1902 - 24/04/1982), um dos principais intelectuais do Brasil no século XX e autor dos livros "Raízes do Brasil" e "Visões do Paraíso", desde o cotidiano de Sérgio, incluindo o modo como interagia com a família e amigos, até um panorama cronológico de sua época, em que lidou com o nazismo, os anos de Getúlio Vargas no poder e a ascensão do movimento modernista no Brasil.


Raízes do Brasil I



Raízes do Brasil II

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Construção - Chico Buarque (1971)



O Brasil do começo dos anos 70 era uma terra de paradoxos. O governo do General Emilio Garrastazu Médici tinha em seu bojo o chamado "Milagre Brasileiro", que prometia crescimento econômico recorde e baixa inflação. O país era campeão mundial de futebol e o slogan "Ame-o ou Deixe-o" era colado nos vidros dos carros. O que poderia estar errado?

O preço para essa suposta estabilidade e ufanismo era alto. A censura tolhia a liberdade artística e a atmosfera repressora levava cidadãos insuspeitos para a cadeia. Depois de um breve período exilado na Itália, Chico Buarque retornou ao Brasil mostrando que não compactuava com a situação. Estava pronto para o confronto e explicitou isso em 1971, no LP Construção. E foi a música que deu título ao disco que mexeu com a cabeça das pessoas.

"Construção", quarta faixa do lado A do vinil original, é um épico, com duração de seis minutos e meio. Trata-se de uma crônica sobre a vida e a morte de um trabalhador. Um dos setores que mais se expandiam com o propalado crescimento econômico era o da construção civil. Operários eram peças de reposição, ganhando pouco e estendendo sua jornada de trabalho com infindáveis horas extras para garantir a compra dos bens materiais que eram anunciados na TV. Acidentes de trabalho eram acontecimentos corriqueiros. Ao colocar isso em canção, Chico criticou indiretamente o sistema, afinal a situação do operariado era consequência das ações do governo.

O personagem anônimo de "Construção" sai de casa, beija a mulher e os filhos e vai para o trabalho. Lá, se anima e ergue uma parede "como se fosse máquina". Faz uma pausa, come qualquer coisa e bebe uma cachaça. Cai do andaime e se estatela no meio da rua, "como um pacote, atrapalhando o tráfego". Chico situa tudo em formato não discursivo, até mesmo impessoal.

As estrofes são repetidas três vezes, com algumas palavras-chave sendo trocadas de posição. Mas são essas mudanças que tornam ambígua a compreensão da música.

Na primeira vez, o cantor apresenta a história de uma forma lógica, quase jornalística.

Na segunda repetição, a mesma história é contada, mas agora é levado em conta o estado psicológico do protagonista, que já estava se transformando num autômato.

Na parte final, que não aparece na íntegra, o peão anônimo já se encontra demente e alucinado, não é dono de suas ações. O trabalhador teria morrido como consequência da falta de condições de trabalho ou teria se suicidado, desesperado diante de suas escassas perspectivas de vida?

"Construção" não seria tão arrebatadora sem o arranjo sinfônico e imponente concebido por Rogério Duprat. O maestro usou a orquestra como um componente sinistro, complementando a cadência do samba de Chico. Os instrumentos aparecem a princípio emulando os caóticos ruídos da metrópole, suas buzinas e prédios em construção. No final, quando "Construção" se funde ao refrão de "Deus Lhe Pague", a canção mais parece uma ópera demente no estilo de Gilbert & Sullivan.

"Construção" passou incólume pela censura, mas a partir daí Chico ficou visado. Dois anos depois, o compositor declarou que "Construção" não tinha nada a ver com o operariado, que a letra não refletia uma experiência formal, e sim emocional. "Construção" ainda é referência para entender um período espinhoso da sociedade brasileira. Essa é a marca de um verdadeiro artista.





Construção
Chico Buarque/1971

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego


Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público


Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Moacyr Scliar (23/03/1937 - 27/02/2011): Zap



Zap

Não faz muito que temos esta nova TV com controle remoto, mas devo dizer que se trata agora de um instrumento sem o qual eu não saberia viver. Passo os dias sentado na velha poltrona, mudando de um canal para outro — uma tarefa que antes exigia certa movimentação, mas que agora ficou muito fácil. Estou num canal, não gosto — zap, mudo para outro. Não gosto de novo — zap, mudo de novo. Eu gostaria de ganhar em dólar num mês o número de vezes que você troca de canal em uma hora, diz minha mãe. Trata-se de uma pretensão fantasiosa, mas pelo menos indica disposição para o humor, admirável nessa mulher.

Sofre, minha mãe. Sempre sofreu: infância carente, pai cruel etc. Mas o seu sofrimento aumentou muito quando meu pai a deixou. Já faz tempo; foi logo depois que nasci, e estou agora com treze anos. Uma idade em que se vê muita televisão, e em que se muda de canal constantemente, ainda que minha mãe ache isso um absurdo. Da tela, uma moça sorridente pergunta se o caro telespectador já conhece certo novo sabão em pó. Não conheço nem quero conhecer, de modo que — zap — mudo de canal. "Não me abandone, Mariana, não me abandone!" Abandono, sim. Não tenho o menor remorso, em se tratando de novelas: zap, e agora é um desenho, que eu já vi duzentas vezes, e — zap — um homem falando. Um homem, abraçado à guitarra elétrica, fala a uma entrevistadora. É um roqueiro. Aliás, é o que está dizendo, que é um roqueiro, que sempre foi e sempre será um roqueiro. Tal veemência se justifica, porque ele não parece um roqueiro. É meio velho, tem cabelos grisalhos, rugas, falta-lhe um dente. É o meu pai.

É sobre mim que fala. Você tem um filho, não tem?, pergunta a apresentadora, e ele, meio constrangido — situação pouco admissível para um roqueiro de verdade —, diz que sim, que tem um filho, só que não o vê há muito tempo. Hesita um pouco e acrescenta: você sabe, eu tinha de fazer uma opção, era a família ou o rock. A entrevistadora, porém, insiste (é chata, ela): mas o seu filho gosta de rock? Que você saiba, seu filho gosta de rock?

Ele se mexe na cadeira; o microfone, preso à desbotada camisa, roça-lhe o peito, produzindo um desagradável e bem audível rascar. Sua angústia é compreensível; aí está, num programa local e de baixíssima audiência — e ainda tem de passar pelo vexame de uma pergunta que o embaraça e à qual não sabe responder. E então ele me olha. Vocês dirão que não, que é para a câmera que ele olha; aparentemente é isso, aparentemente ele está olhando para a câmera, como lhe disseram para fazer; mas na realidade é a mim que ele olha, sabe que em algum lugar, diante de uma tevê, estou a fitar seu rosto atormentado, as lágrimas me correndo pelo rosto; e no meu olhar ele procura a resposta à pergunta da apresentadora: você gosta de rock? Você gosta de mim? Você me perdoa? — mas aí comete um erro, um engano mortal: insensivelmente, automaticamente, seus dedos começam a dedilhar as cordas da guitarra, é o vício do velho roqueiro, do qual ele não pode se livrar nunca, nunca. Seu rosto se ilumina — refletores que se acendem? — e ele vai dizer que sim, que seu filho ama o rock tanto quanto ele, mas nesse momento zap — aciono o controle remoto e ele some. Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está — à exceção do pequeno relógio que usa no pulso — nua, completamente nua.


O texto acima foi publicado no livro "Os cem melhores contos brasileiros do século", seleção de Italo Moriconi, Editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 555.